Doença, antropologia e normalização na arqueologia de Foucault

Fillipa Carneiro Silveira

Resumo


O objetivo deste artigo é o de expor algumas considerações sobre a questão da doença na arqueologia de Foucault, dando ênfase ao texto O nascimento da clínica. Em 1954, Foucault revela, em Doença mental e personalidade, uma abordagem de cunho existencial, fenomenológico e marxista da doença mental. Em 1962 o texto é reformulado e publicado novamente, adotando uma perspectiva histórico-crítica da psicologia e das formas de experiência dos fenômenos relativos à doença mental. Em O nascimento da clínica, Foucault parece ter estendido esta visada ao problema da doença em geral, observando que, em vez de um aprimoramento da medicina relativo ao advento de um “humanismo médico”, a arqueologia desse saber revelaria que a vida patológica tem, na verdade, uma ordem: a de uma antropologização dos saberes. Encontramos aqui o tema da normalização medical moderna, fruto de sua pertinência a uma “estrutura antropológica” e a uma “disposição antropológica” dos saberes.


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