O ocaso de uma só hipótese: notas sobre o niilismo, de perto e de longe

Iara Velasco e Cruz Malbouisson

Resumo


No conhecido fragmento de Lenzer Heide, intitulado “O Niilismo Europeu”, Nietzsche relaciona o niilismo de seus contemporâneos com o perecer irreversível da hipótese moral cristã: “Uma interpretação soçobrou; porém, por que ela valia como a interpretação, parece como se não houvesse absolutamente nenhum sentido na existência, como se tudo fosse em vão”(FP, 1887, 5[71]). Dadas as relações que Nietzsche estabelece entre o niilismo e a Europa, e diante de sua expansão cultural e política, cabe indagar quais os limites atuais do niilismo europeu, e ainda, como fica a questão do niilismo quando vista de fora – por uma outra cultura, talvez. Partindo de uma discussão preliminar do problema do niilismo na filosofia de Nietzsche, buscamos investigar precisamente uma destas “visões de longe”: aquela que o xamã yanomami Davi Kopenawa, em parceria com o antropólogo Bruce Albert (tradutor de suas falas e discursos), nos legou no livro A queda do céu. Esta obra única contém uma condenação dos valores e modos de ser da sociedade ocidental, construída através de uma série de comparações entre os brancos (“o povo da mercadoria”) e os yanomami (“o povo da floresta”). Estaríamos, aqui, diante de um improvável, porém “absolutamente contemporâneo”, diagnóstico indígena do niilismo europeu?


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