A necessidade de recolocação do problema da alegoria e da interpretação alegórica em Platão

Juliano Orlandi

Resumo


Tradicionalmente, a questão da alegoria em Platão recebeu de seus intérpretes um tratamento indireto e parcial. Foi tratada como um tema subalterno cujo esclarecimento não pareceu ser de fundamental importância para a compreensão da filosofia platônica. Um exemplo desse procedimento se encontra na tradição francesa de comentário ao problema do mito em Platão, aqui representada por Perceval Frutiger, Jean Pépin e Luc Brisson. Preocupados fundamentalmente com a natureza e o valor do discurso mítico, eles abordaram a questão da alegoria exclusivamente do ponto de vista da interpretação alegórica dos mitos tradicionais. Não se dedicaram a investigar a presença do discurso alegórico em circunstâncias textuais não míticas da obra platônica, tais como nas narrativas apresentadas pelas personagens (Alegoria da Caverna, por exemplo) ou nos próprios enredos literários dos diálogos. Chegaram, assim, a conclusões que, se comparadas à complexidade dos casos platônicos de alegoria, se mostram insustentáveis. Meu objetivo é demonstrar as falhas e as dificuldades dessa tradição de comentário e recolocar a questão da alegoria de um ponto de vista mais amplo.


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