Sloterdijk e a noção de subjetividade por tensões verticais

Maurício Fernando Pitta

Resumo


Esse artigo busca explicitar a compreensão filósofo alemão Peter Sloterdijk sobre o conceito de subjetividade. Operando uma crítica ao humanismo e abdicando da pressuposição de uma natureza humana, Sloterdijk nega, ao mesmo tempo, acepções que guiam a subjetividade pelas noções de indivíduo e autonomia. Para ele, a subjetividade encontra-se na relação entre dois indivíduos, operada por um vetor vertical de tensão, isto é, um modelo de conduta imanente a relação que serve, por instrução hierárquica de um indivíduo para o outro, como autoridade para a desinibição da atuação no interior de um espaço híbrido de intimidade. Portanto, ela não pode se resumir à atuação independente de um indivíduo, nem à autonomia de um sujeito participante de uma universalidade transcendental. Para articular isso nesse artigo, primeiramente exibimos, a partir de uma obra do filósofo francês Alain Renaut, o que se compreende por subjetividade como individualidade e autonomia, obra em que o conceito de sujeito é separado do de indivíduo; posteriormente, mostramos brevemente a crítica de Sloterdijk ao humanismo (e, portanto, à noção de subjetividade como autonomia); e, por fim, discorremos sobre algumas das considerações de Sloterdijk acerca da subjetividade, expostas em Im Weltinnenraum des Kapitals e Du mußt dein Leben ändern.

Texto completo:

PDF

Referências


AGAMBEN, Giorgio. L’aperto: l’uomo e l’animale. Torino: Bollati Boringhieri, 2002.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mille Plateaux: Capitalisme et Schizophrénie 2. Paris: Les Éditions de Minuit, 1980. (Coleção “Critique”)

FOUCAULT, Michel. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1982-1982). Trad. de Márcio A. Fonseca e Salma T. Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

HABERMAS, Jürgen. O Futuro da Natureza Humana: a caminho de uma eugenia liberal? Trad. de Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2010.

HARAWAY, Donna; TADEU, Tomaz [et. al]. Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Org. e trad. de Tomaz Tadeu. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo; Sein und Zeit. Ed. bilíngue. Trad., org., notas etc. de Fausto Castilho. Campinas: Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012. (Col. “Multilíngues de Filosofia Unicamp”)

______. Vorträge und Aufsätze. v.7. Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 2000b. (Col. “Gesamtausgabe”)

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Trad. de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 2007.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Trad. de Carlos I. Costa. São Paulo: Ed. 34, 2013.

LEIBNIZ, Gottfried W. A Monadologia e outros textos. Trad. de Fernando L.B.G. Souza. São Paulo: Hedra, 2009.

MORAN, Emílio F. Adaptabilidade humana: uma introdução à Antropologia Ecológica. Trad. de Carlos E.A. Coimbra, Marcelo S. Brandão e Fábio Larsson. 2.ed. São Paulo: Edusp; Editora Senac São Paulo, 2010. (Col. “Ponta”)

NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral: uma polêmica. Trad. de Paulo C. Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

ORWELL, George. Nineteen Eighty-Four. Londres: Martin Secker & Warburg, 1949.

RENAUT, Alain. O indivíduo: reflexão acerca da filosofia do sujeito. Trad. de Elena Gaidano. 2.ed. Rio de Janeiro: DIFEL, 2004. (Coleção “Enfoques Filosofia”)

SLOTERDIJK, Peter. Crítica da Razão Cínica. Trad. de Marco Casanova, Paulo Soethe [et. al]. São Paulo: Estação Liberdade, 2012.

______. Die Kritische Theorie ist tot: Peter Sloterdijk schreibt an Assheuer und Habermas. Die Zeit. Disponível em , acesso em 24 out. 2016, 1999.

______. Du mußt dein Leben ändern: über Anthropotechnik. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2009.

______. Im Weltinnenraum des Kapitals: für eine philosophische Theorie der Globalisierung. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2005.

______. Nicht gerettet: Versuche nach Heidegger. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2001.

______. Regeln für den Menschenpark: ein Antwortschreiben zu Heideggers Brief über den Humanismus. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2014.

______. Sphären I (Mikrosphärologie): Blasen. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1998.

______. Sphären III (Plurale Sphärologie): Schäume. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2004.

______. Stress and freedom. Trad. de Wieland Hoban. Cambridge: Polity Press, 2016.

TARDE, Jean-Gabriel de. Monadologia e sociologia e outros escritos. Intro. de Eduardo V. Vargas e trad. de Paulo Neves. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

WEBER, José F. Formação (Bildung), educação e experimentação em Nietzsche. Londrina: Eduel, 2011.

WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade: o uso humano de sêres humanos. Trad. de José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix, 1958.

ŽIŽEK, Slavoj. Zizek’s Very Short Introductions. Disponível em . Acesso em 26 mai. 2017, 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution 3.0 License.