Caeiro: uma vacina contra a estupidez dos inteligentes

Gisele Batista Candido

Resumo


A pertinência filosófica da obra de Fernando Pessoa é tal que, constantemente seus leitores mais afeitos ao cotidiano desse universo encontram em seus escritos ecos e até mesmo referências que os remetem a diversos autores da filosofia. O próprio poeta português reconheceu que “era um poeta inspirado pela filosofia” (PESSOA, Escritos autobiográficos..., p. 19). Com efeito, além de seu espólio contar com inúmeros escritos críticos sobre diferentes filósofos, sua poesia também apresenta, de certa forma, teor filosófico. Entretanto, o envolvimento entre poesia e filosofia na obra pessoana não se configura como uma relação óbvia, como se sua poesia fosse apenas um pretexto para o desenvolvimento de palpitações filosóficas ou mesmo uma simples tentativa de poetizar experiências alheias. Embora o poeta reconheça a influência da filosofia, ele imediatamente reitera que “não [é] um filósofo com faculdades poéticas” (PESSOA, Escritos autobiográficos..., p. 19). Nesse horizonte, a poesia de Alberto Caeiro revela não apenas inspiração filosófica, mas sobretudo uma problematização do próprio exercício filosófico, que será enfaticamente questionado em algumas de suas perquirições mais próprias, a saber: a orientação do pensamento e a primazia atribuída ao conhecimento.


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