Vida e morte em Freud e Bergson: o debate sobre a lei da entropia e a teoria do plasma germinativo em Além do princípio do prazer e A evolução criadora

Bruno Batista Rates

Resumo


Após constatar que a compulsão de repetição é mais "elementar" e "primordial" que o princípio do prazer, Freud, em Além do princípio do prazer, enveredará para o caminho da especulação e reorganizará a sua teoria das pulsões, estabelecendo, assim, de forma definitiva, a primazia da pulsão de morte. Uma das consequências desta descoberta será a ideia de que "o objetivo de toda vida é a morte" e que "o inanimado existia antes que o vivente".  Viver, portanto, segundo o inventor da psicanálise, é conservar um "velho estado inicial que o vivente abandonou certa vez e ao qual ele se esforça por voltar" e não ir em direção a um "estado nunca antes alcançado". Ora, tal caráter conservador da vida parece se contrapor frontalmente à concepção defendida por Bergson, 13 anos antes, em A evolução criadora, onde a vida é caracterizada como "exigência de criação". Nosso texto se debruçará, assim, sobre estas duas concepções aparentemente irreconciliáveis de vida e morte, examinando também as duas referências científicas crucias para a construção do argumento freudiano e bergsoniano em questão: o segundo princípio da termodinâmica ou "lei da entropia" e a teoria do "plasma germinativo" proveniente da embriologia de August Weismann.

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